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Palavras da Tribo
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As primeiras, as segundas e todas as palavras Quinta-feira, Setembro 27, 2007
ainda não tinha aqui apresentado os meus 'afilhados' caninos. ei-los: o Rex (preto) e a Lara (branca). são irmãos e não andam um sem o outro. conheci-os no albergue da União Zoófila. quando posso costumo passeá-los. parecem dois cavalinhos cá fora. ao pé deles está a Cássia, lindíssima também e muito tímida. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:46 PM - Comments: Quarta-feira, Setembro 26, 2007 sobre a coincidência das coisas. desenrolam-se e entrecruzam-se os sentimentos sobre os quais não há certezas. ontem queria trepar às arvores, respirar ar das montanhas, andar descalça. hoje gostaria de ser acalmada como uma menina de colo a quem se contam histórias de princesas. os anões cresceriam, as maçãs não teriam veneno, as belas princesas seriam para sempre amadas, mesmo depois dos príncipes serem promovidos a reis. educariam os filhos dos principes e não os bastardos. os princípes aguentariam os humores incertos da melancolia feminina. a história repetir-se-ia até ao adormecimento. saberia o que fazer e o que sentir, pôr os pontos nos iis, aguardar serenamente o desfecho da minha própria história. amélia postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:04 PM - Comments: Segunda-feira, Setembro 24, 2007 tentaria gostar dela. na aparência nada seria mais fácil. a atitude ligeira, mas segura o corpo delineado segundo as regras internacionais de massa muscular versus esqueleto. a voz bem colocada na inflexão certa ao telefone com ou sem auricular. a saia travada ao sair do carro. agora percebia porque não conseguia gostar dela. ao pé dela iria sobressair a sua timidez, o seu ar de outono passado. não conseguiria acender-lhe a cigarrilha. iria sair-se mal na escolha do vinho, nos comentários políticos. não teria hipóteses. sorriu. não tinha mesmo hipóteses. alberto postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:36 PM - Comments: Quinta-feira, Setembro 20, 2007
Zazie chega a Paris para passar uns dias com o seu titio Gabriel. O que ela queria era andar de Metro, mas os trabalhadores estão em greve... e eu aprendi o que significa zaziesco. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:07 PM - Comments: Quarta-feira, Setembro 19, 2007 O senhor comissário não faz ideia. Não sabe o que é acordar antes das sete da manhã com a certeza da fiada de horas vazias pela frente. Eu tento, a sério que tento, fazer tudo muito lentamente para que o tempo passe rapidamente. Puxar o lençol e depois, um a um, os cobertores, entalar tudo debaixo do colchão - eu que já não tenho idade nem saúde para levantá-lo. Preparar a torrada até quase ficar esturricada. Beber o café com leite golinho a golinho. Fazer o caminho de ida e volta da mercearia com passinhos de bebé. Já fritar um bife não demora nada. Menos ainda lavar a frigideira e um prato. Depois costumo sentar-me a cuidar das unhas. Tiro-lhes as cutículas. (Ora veja como estão bem tratadas.) O senhor comissário não sabe o que é já ter feito tudo muito devagar e não serem ainda duas da tarde. Não fosse o senhor Braz e decerto não seria capaz (veja como rima!) de manter-me sã até pôr-se o sol. O senhor Braz sai à varanda, que confina com a minha, para regar as plantas às seis da tarde. Faço por ter de tomar ar à mesma hora. E conversamos. Há anos que conversamos sempre à mesma hora. Dizemos das nossas dores. Dos nossos filhos, os que tem ele e eu não. Do tempo que nunca mais foi o que era. Das vizinhas. Dos que morreram e dos que continuam vivos. Falo-lhe do meu coração e explico-lhe como às vezes parece disposto a saltar-me do peito. (Taquicardia, disse a médica do centro de saúde que nem para mim olha.) O meu vizinho é um homem bem apessoado, sempre com o último botão da camisa apertado mesmo junto ao gasganete quase tão flácido como o meu. Os 80 anos não lhe levaram a força das mãos que apertavam as minhas, pousadas no parapeito da varanda quando eu ali deixava cair alguma lágrima. Julgando pela força que tinha nas mãos, senhor comissário, nunca pensei que fosse possível derrubá-lo, assim de uma penada. Foi ainda agora, quando me contou da senhora viúva e piedosa que tinha encontrado num lanche da Santa Casa da Misericórdia. Empurrei-o. Gentilmente. Agora estou aqui à espera que se ponha o sol. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:29 PM - Comments: Quinta-feira, Setembro 13, 2007 "A velhice é de facto um disfarce que ninguém, a não ser os próprios velhos, decifra. Sinto-me exactamente como sempre me senti, tão jovem por dentro como quando tinha vinte e um anos, mas a concha exterior esconde o meu ser verdadeiro - por vezes até de si próprio -, e trai essa pessoa que está lá bem no fundo, sob as rugas e manchas na pele e todos os horrores da decadência. Por vezes penso que sinto as coisas mais intensamente do que antes, não menos. Mas receio tanto parecer ridícula. As pessoas esperam serenidade dos velhos. Esse é o estereótipo, a máscara que esperam que usemos. Mas quantos velhos serão serenos? Conheci um ou dois. A minha avó por exemplo, mas já o meu avô, pai do meu pai, tornou-se muito violento e irascível. Eu tinha pavor dele e o meu pai destestava visitá-lo. Estava sempre a ir a tribunal por causa de uma alegada desfeita ou calúnia. Era um homem dos jornais, dono de um jornal de uma cidadezinha para o qual escrevia a maior parte dos editoriais, e quando morreu tinha esbanjado metade da sua fortuna, que nunca foi muito grande, em processos perfeitamente absurdos." Prepara-te para a morte e segue-me, Mary Sarton (IR) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 2:43 PM - Comments: Quarta-feira, Setembro 12, 2007
"Dharamsala", Ana Marchand, 1992 Para a mp, wherever she is! ib postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:51 PM - Comments: Sexta-feira, Setembro 07, 2007 ando na areia para cima e para baixo, esvaziando o mar da sua plenitude. perco-me em ideias de como levar o mar para dentro de casa, para dentro da secura dos campos e para dentro de cada um. gostaria de levar o mar comigo, como um portátil. ainda não o faço. alberto postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:17 PM - Comments: Terça-feira, Setembro 04, 2007 esta gatinha ficou três dias em cima de uma árvore. foi resgatada graças à insistência da ib. não resisti a partilhar a imagem, obtida pouco depois do salvamento. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:09 PM - Comments:
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