Palavras da Tribo

As primeiras, as segundas e todas as palavras



Sábado, Novembro 29, 2003


Dormir durante duas horas - foi o convite que Sophie Calle fez a estes "dormeurs" e a muitos outros que fotografou "en dormant". Eles, que não se imaginavam a dormir, puderam ver o que são quando se abandonam. IR

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Sexta-feira, Novembro 28, 2003

então virou-se e olhou para os pés. sentada como estava podia olhar longamente para os pés sem levantar suspeitas. os pés no chão , o tronco bem hirto. sentiu um arrepio de nobreza. era alguém.o chão suportava o seu peso. o corpo entornava-se pelas bordas da cadeira. era importante sentir os pés no chão. paralelos. o mundo ficava mais seguro.
ib, a que escreve sentada

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Quinta-feira, Novembro 27, 2003

hoje continuo sentada e ao pé de mim alguém. sem nome. só alguém. é importante desconhecer-se tudo acerca de uma pessoa.torna o mundo fascinante. Sem nome, e se calhar sem idade, sem profissão. pergunto-me: o que pensa e faz essa pessoa sem nada? como enche a sua pessoa. o que pode dar aos outros a pessoa-nada? sentou-se ao pé de mim e foi bom. não aconteceu nada.
ib

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Quarta-feira, Novembro 26, 2003

ora bem. cá estou. sentada e desesperada por não saber estar bem sentada. Firme, de coluna estreita e escorreita. Firmeza nas vértebras que ignorei durante 30 anos.só agora percebo: as coisas ignoradas têm o poder de nos aparecer como parentes distantes em véspera de natal. as coisas ignoradas têm o poder do desespero. as minhas vértebras, os parentes, as pessoas maltratadas. aparecem-nos como tinta invisível sobre a qual deitámos pós de revelação instantânea.E hoje, ontem, há dias, que sentada sobre a minha coluna enviesada vi aparecerem os desesperados do passado. chegaram-se a mim com um desrespeito próximo de uma antiga e esgotada intimidade e ficaram quietos à minha espera. fingi que não os vi. Fui-me embora, mas eles lá ficaram. ao lado da minha cadeira. E amanhã quando me quiser sentar? Quem me salvará?
IB, a outra

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Sexta-feira, Novembro 21, 2003

LEILÃO A FAVOR DO AR.CO.
DIA 3 DE DEZEMBRO

Cristina Robalo
S/Título
2000
Aguarela s/papel vegetal
100cm x 78cm

mp
ps. finalmente consegui uma imagem de um desenho da Cristina para o blog!!!!

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Segunda-feira, Novembro 17, 2003


(Via Láctea, Rui Moreira)

Deslocámo-nos de barco na transtejo. Estava um dia de sol lindo. A cidade vista do barco. Almada vista do barco. O Barreiro. O Tejo e as suas margens unidas por barcos e pontes e sonhos. De quem olha de cá para lá. de quem olha de lá para cá.
Um sétimo andar. O que se avista. Uma casa simples. Coisas simples. Poucos objectos.
Os Bonsais que morreram porque o artista deles respirou perto demais. Os Bonsais mortos fizeram-me lembrar todas as relações que morrem por isso mesmo. Por estarmos perto demais. Quando queremos tudo do outro. Até respirar o ar que ele expira. Ele a inalar o ar que ela ela a inalar o ar que ele ... e o ar a tornar-se rarefeito. A sufocar. Não. Não só as plantas morrem. Mas os Bonsais despidos também são bonitos!! Resta sempre a esperança de que voltem a florir numa próxima primavera.
A Caveira. A Caveira que todos temos escondida debaixo da plasticina que a envolve. Que nos envolve. Plasticina em vários tons de branco, preto, vermelho e amarelo. Algumas com acabamentos mais perfeitos. Mais lisos. Mais iguais. Outras. A maioria. Moldadas por mãos de crianças, com toques de malvadez, com toques de génio. E por isso também mais vivas, menos museu de cera.
E então a obra. Os desenhos. Um mar infinito. Negro. As vagas. O branco a esvaziar o mar. O branco que não é o céu. O branco que não é o mar. O branco que nos deixa respirar para entrarmos no mar uma vez, duas, três.
O Totem. Aquilo que se adora. Deus presente na terra. As energias todas que Ele emana e que a si atrai. Os passos em volta.
O objecto que desaparece para ficar apenas a folha que contém a imagem. A fotografia. A leveza. A leveza da fotografia contra o peso do ferro. A leveza da fotografia contra a poluição dos gazes, contra o barulho das máquinas, contra o que não lá coube. O homem que a tira cabe ou não cabe?
A Dificuldade. A Dificuldade do que não deve ser fácil mas que não é impossível. O que está ao nosso alcance. Se trabalharmos muito. Se quisermos muito. Se sentirmos muito. Muito. Mas não é só trabalhar querer e sentir. Não é só suor, desejo e sentimento. Há que merecer. Há que construir sem destruir. Há que deixar intacto o que já está construído. Com Amor. Não fanes os tijolos. Fanar é feio. Fanar é muito feio. Eu fano tu fanas ele fana. Já viste o que fizeste!

(texto escrito após um encontro entre Rui Moreira e uma turma de alunos de desenho do ARCO, 26/04/2001)
mp

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Sábado, Novembro 15, 2003

pequenosdeuses e seus guardiães do sono

mp

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Sexta-feira, Novembro 14, 2003

QUEM ARRANCA de noite o coração do peito deseja a rosa.
Pertencem-lhe a sua flor o seu espinho.
A esse põe ela a luz no prato,
com o seu sopro enche-lhe os copos,
só para ele sussurram as sombras do amor.

Quem arranca de noite o coração do peito e o arremessa ao alto:

não falha o alvo,
apedreja a pedra,
a esse bate-lhe o sangue fora do relógio,
o tempo faz-lhe soar na mão a sua hora:
pode brincar com bolas mais bonitas
e falar de ti e de mim

(Paul Celan, "Sete Rosas Mais Tarde", Cotovia, tradução de João Barrento)

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Quinta-feira, Novembro 13, 2003

Francisco tinha lido no jornal que o casario estava agora integrado num parque natural e para isso tinha contribuído o uso que dele faziam algumas espécies de aves. O pai dele conhecia-lhes os nomes. Desenhava-lhes os corpos, com as asas abertas, nos cadernos de esboços. Alongara-se muitas vezes sobre o grou, o gritador dos céus. "Uma ave majestosa, Francisco. Desloca-se no solo com passos lentos, medidos e dignos. Em voo é enorme, com as asas longas, o pescoço fino esticado e as pernas projectadas", dizia-lhe. Contava-lhe que os invejara, longilíneos e indiferentes, no céu esbranquiçado, quando, há muito tempo, no rio a correr ao lado de Espanha, a mãe, dotada de força masculina, mergulhava à vez a cabeça dos rapazes na água. Esfregava-lhes a toalha áspera nos corpos ossudos. Eram ásperos também os gestos, que não autorizavam brincadeiras de água. Os irmãos mofavam - nus, magros, em risota - encostados ao tronco retalhado da azinheira, assistindo ao espernear daquele a quem, no momento, a mãe expurgava de todas as impurezas, visíveis e invisíveis.
A avó de Francisco alçava de vez em quando o antebraço para afastar o cabelo molhado da cara, segurando com a outra mão o cachaço do pai ou dos tios. Os grous planavam sobre a avó quando esta se levantou no meio do rio, com os pulsos a empurrar as cruzes, a água pelo joelho a inchar-lhe a saia preta, e libertou um dos miúdos. Ali ia um corpo reluzente a correr para a margem. Abraçava o tronco dorido, os dedos de afogado nas costas dobradas de frio. Ainda não chegara a terra firme quando soava o nome do seguinte. Era altura de se escangalharem a rir os rapazes já sujeitos à provação quinzenal, dois ou três com janelinhas no lugar dos dentes de leite e todos de orelhas espigadas nas cabeças rapadas, à prova de piolhos. Aqueles já tinham sido torcidos. Estavam a secar. IR

grou comum - Instituto de Conservação da Natureza

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Quarta-feira, Novembro 12, 2003

Acudiu-me a cena de "Farenheit 451", de François Truffaut, em que homens e mulheres caminham com livros na mão, lendo alto e tentando decorá-los. Vi o filme há muito tempo. Na verdade não sei precisar se a cena que recordo como sendo de homens e mulheres que lêem e andam não respeita antes e já aos homens e mulheres-livro: aqueles que se apresentam "eu sou 'Ricardo III' e eu 'D. Quixote de La Mancha' e aquele outro 'Guerra e Paz". IR

"Farenheit 451", François Truffaut

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Sábado, Novembro 08, 2003

São "Histórias de Ver e Andar" as de Teolinda Gersão. Ou de ler a andar ou de andar a ler. Ah! e não me venham com aquela de que é incorrecta a expressão "andar a ler", porque - sei-o bem, chego até a praticá-lo - não é impossível conjugar as duas actividades. Ora essa! Andar a ler, sim senhor! Com o polegar dentro do livro e o indicador dobrado na lombada. Sujeito, é certo, a dar com a cabeça num sinal de trânsito ou a enfiar o pé inteiro na poça, mas - mantenho - "andar-a-ler". Se pode fazer-se, não há-de ser incorrecto escrever-se, verdade? O nosso pc (que saudades!) pergunta-lo-ia sem "e" no final e mais "b" do que "v" no princípio - "verdad?" Digo ou escrevo mais: este livro pede que o andem a ler ou o leiam a andar pela cidade. Alguma personagem há-de passar a rasar o ombro do leitor, pois sente-se que elas andam por aí, elas podem até andar por aqui, quero dizer aqui por dentro, tal como as sensações: o mal-estar do homem que prometeu doar um milhão em troca da palavra negativo no resultado de um exame médico, a dor explícita de uma mulher que recorre aos serviços de uma orelha, a beatitude da velha que sonha erguerem-na dois anjos aos céus sentada numa cadeira em cujos braços leva as galinhas e aqui lembro outros galináceos, também amigos da altitude, apanhados um dia em pleno voo na prosa da Maria Poppe. Insisto: andar a ler, sim senhor, em manifestação de solidariedade com o maquinista do metropolitano que, viciado, conduzia a ler ou lia enquanto conduzia. Descobriram-no. Que punha em causa a segurança dos passageiros e tal e tal. Despediram-no. Poderíamos supor que, desempregado, teria mais tempo para a leitura, mas, ao contrário, ele descobriu-se menos leitor do que então. O metro incitava-o, porque lhe pareciam as linhas do livro coincidentes com os carris, umas e outros capazes de levá-lo, aqui e ali, a plataformas iluminadas. IR

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Sexta-feira, Novembro 07, 2003

Já há algum tempo que queria juntar às nossas palavras as palavras do Rui Magalhães, e então resolvi pedir-lhe se me deixava editar no blog um dos seus poemas. O Rui tem sido um amigo da tribo desde o seu início, mesmo existindo entre nós a distancia que separa o Porto de Lisboa. Sempre que visitamos a sua terra, tira o dia para nos receber. Leva-nos a almoçar e depois a lanchar, passeia-nos pela beira-mar da cidade, visitamos os museus e conversamos muito, muito, como quem se desenha por palavras. Já há uns bons meses que não vamos ao Porto. Já tenho saudades! (mp)
Aqui fica então um dos seus poemas, inédito:

I.
A sereia da coerência obstina-se
à volta desta sombra como um tronco
soletrado à medida do nome que ainda não tem.

E nada lhe acalma o ânimo temeroso e a tortuosa ausência
nem tu à despedida ou mesmo à chegada
quando ninguém te vê
e todo o silêncio é um barco secreto
um botão de rosa que adormece nesse intervalo.

Infinita obstinação
para lá de todo o amor próprio.
Sobre a chama há ainda ossos uma fragilidade insubmissa
os teus olhos? ou a vida nova a vida perdida
o último obstáculo depois de nudez antes da escrita?

II.
Que nome te traz da ilha abandonada
ao sopro de um tempo de fome e de lembrança?

Que rio que rasto que equilíbrio transitório te abre o corpo ao fio da história?

Segredo ou violência são nesse espaço exíguo
a temperatura da pele à distância do voo.

Perverso como tudo o que morre antes de chegar ao destino
vejo chegar a onda essa fronteira demasiado ágil
para quem se limita a amar-lhe infinitamente o contorno.

Que nome ou terra ou lua virtual
se projecta assim sobre a terra inabitada
como se fosse o amor?

III.
Testemunha obstinada da embriaguez do contínuo
acaso te abrigas do fogo
da intempérie exclusiva
que te abre os braços no lugar exacto em que poisas?

Não há ondas nem folhagem. Só a eterna ponte
entre o sofisma e a solidão.

Os ventos despertam a transparência de todas as coisas
como uma mão treinada a cuidar de poemas e de mulheres intocadas.

Mas se fosse assim por muito tempo chegaria um tempo
em que os olhos se tornariam cegos
a mão tiranizada por tanta obstinação deixaria tombar a semente
e logo um tronco macio te acolheria no seu nome.

IV.
Queria a minha casa abrigada dos temores sonâmbulos
tão longe da distância que todo o fragmento tivesse a marca de uma palavra irrefutável.
Por isso juntei nela as palavras necessárias ao mistério
à solidez das imagens que trazem cheiro de pele agarrado à pele.

Esbocei uma teoria para cada uma.
Falei-te disso num entardecer junto à lembrança do mar
e tu disseste que por dentro das vidas habitava o sonho do pensamento.

Recordo incessantemente o teu gesto de adeus
e a única certeza é a da minha imagem no vidro
tão antes de ti como a própria solidão.
(Rui Magalhães)



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Terça-feira, Novembro 04, 2003


Andrew Wyeth, Christina´s World 1948

"When I painted it in 1948, Christina´s World hung all summer in my house in Maine and nobody particularly reacted to it. I thought, "Boy, is this one ever a flat tire." Now I get at least a letter a week from all over the world, usually wanting to know what she is doing. Actually there isn´t any definite story. The way this tempera happened, I was in an upstairs room in the Olson house and saw Christina crawling in the field. Later I went down on the road and made a pencil drawing of the house, but I never went down into the field. You see, my memory was more of a reality than the thing itself. I didn´t put Christina in til the very end. I worked on the hill for months, that brown grass, and kept thinking about her in her pink dress like a faded lobseter shell I might find on the beach, crumpled. Finally I got up enough courage to say to her, "Would you mind if I made a drawing of you sitting outside?" and drew her crippled arms and hands. Finally, I was so shy about posing her, I got my wife Betsy to pose for her figure. Than it came time to lay in Christina´s figure against that planet I´d created for her all those weeks. I put this pink tone on her shoulder - and it almost blew me across the room."(Andrew Wyeth)

mp
ps. um dia eu disse a alguém que tinha acabado de descobrir o Andrew Wyeth e que andava deslumbrada com a sua pintura e esse alguém deu-me de presente um livro seu, da sua biblioteca, um livro que comprara em 1974, quando ainda vivia em NY, "The Art of Andrew Wyeth". Um livro que hoje é uma memória.

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De volta ao centro da península, deixei rastos de migalhas de pão (ou das broas do Pão por Deus) nas periferias que visitei. Tento, pois, acelerar o tempo da próxima visita. Pelo meio, ficam os versos enrolando-se à volta do António Poppe (que os roía), o prazer de rever a Robalo e o Malia, o desejo de ver os outros, o sufoco de evitar tossir a meio do recital, o desespero de não poder tomar um copo na Eterno Retorno porque ia fazer análises de manhã (colesterol exemplar ao fim de três anos de luta). Qualquer coisa de extraordinário. Depois, rumo ao Toxofal, ao Baleal, ao mar que não tenho em Madrid, acompanhou-me Sophia. Que como sempre.

CASA BRANCA

Casa branca em frente ao mar enorme,
Com o teu jardim de areia e flores marinhas
E o teu silêncio intacto em que dorme
O milagre das coisas que eram minhas.

A ti eu voltarei após o incerto
Calor de tantos gestos recebidos
Passados os tumultos e o deserto
Beijados os fantasmas, percorridos
Os murmúrios da terra indefinida.

Em ti renascerei num mundo meu
E a redenção virá nas tuas linhas
Onde nenhuma coisa se perdeu
Do milagre das coisas que eram minhas.

in Poesia I, 1944

Um abraço. pc-al-PC

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Domingo, Novembro 02, 2003

"Eu
Quando olho nos olhos
Sei quando uma pessoa
Está por dentro
Ou está por fora
Quem está por fora
Não segura
Um olhar que demora
De dentro do meu centro
Este poema me olha"

Paulo Leminsk

António Poppe deu-nos este poema na última sessão do Livre Curso da Poesia. IR

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"Ver uma lebre que foge ou uma abetarda que voa não é nada extraordinário: qualquer pessoa que tenha atravessado a estepe as viu; mas não é dado a toda a gente ver os animais na sua vida íntima, quando não correm, não se deitam nem lançam olhares desconfiados para todos os lados. Vássia vira raposas a brincar, lebres a erguerem-se sobre as patas traseiras, abetardas ainda pequeninas compondo as penas das asas e marcando caracteristicamente o seu compasso. Graças a esta acuidade de vista, Vássia via outro mundo além daquele que toda a gente vê: um mundo seu, inacessível aos outros e provavelmente muito belo, porque, quando olhava para ele, extasiava-se; era difícil não ter inveja dele."
in "A Estepe", de Anton Tchekov

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