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Palavras da Tribo
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As primeiras, as segundas e todas as palavras Quinta-feira, Julho 31, 2003 Conversas d´Amorados Ele dizia que gostava de se esconder por detrás de todas as máscaras Ela dizia-lhe que quanto mais ele se escondia mais se arriscava a ser ele próprio Ela gostava de o ouvir contar histórias, em todas elas aprendia uma palavra nova e o sítio exacto onde a colocar Ele dizia-lhe que o amor é tudo o que existe Ela pedia-lhe para provar Ela dizia-lhe que o sorriso dele era muito infantil Ele dizia-lhe que ela era a fazedora do seu sorriso a-mulher-no-país-das-amoras postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 10:03 AM - Comments: para Margarida Ferreira de Almeida e José Pedro Croft O grande trauma O vazio Agarrar o mundo, parti-lo aos bocados e voltar a juntá-los A procura do sentido Cadeiras em bicos de pés sustentam a desmesura dos sólidos Mesas atacadas pelo bócio Copos a fugir das vitrines Corpo deseja sombra Sombra deseja volume Formas que se riem da ideia de serem obras Os amantes calhaus partiram a estrada para poderem estar sozinhos A cissiparidade das pedras - Também gostas de velocidade? Cidade Há sempre uma porta. Aberta. Para a descoberta Blocos de gelo sobre rodas vingam-se do curso dos trenós - 300 Kilos - 3 x 8 =24 O artista tem a força na cabeça, quando a força desce aos braços é escultura O senhor que se segue - Isto é tramado! É martelando que se atinge a lisura Vectores de energia Projectar para fora da sala - Utilizar os desperdícios, o que não compensa, a memória das fábricas O acasalamento forçado das pedras é arquitectura Pedras reprodutoras disparam crias Se um espelho engana muita gente, dois espelhos enganam muito mais, se dois .... Brecha de Tavira, Brecha d´Arrábida, Se todas as brechas da nossa terra fossem essas! O homem treme, o vidro hesita e quase que cai, mas não cai O corpo vertical imóvel é um sólido em equilíbrio instável O corpo horizontal imóvel é um sólido em equilíbrio estável - 400 Kilos? Isto tem de ter mais! - A repetição do rectângulo é o paralelepípedo - A base é o papel - Tudo tem que acontecer sem esforço Um escadote entre dois livros a servir de marcador permite a fuga das personagens de um enredo para outro. Quero experimentar. Já em casa, abro a montanha mágica ao meio e deixo Hans Castorp passear-se até à terra de neve de Kawabata. Ponho-me a pensar como teria sido o encontro entre o alemão e a gueixa Komako. Porque em todas as montanhas deveria haver uma "gueixa" à nossa espera, assim como em todas as praias deveria haver uma Ô...dê, assim como ... - Temos direito a tudo, alegrias, raivas, tristezas, paixões, gueixas, a falta de uma é não ter direito à sobremesa A mulher que filma o espelho filma a mulher que filma o espelho filma ... Heaven is a place where nothing happens, diz-nos a música no final (escrito enquanto passava no ecrã da sala Dr. Félix Ribeiro da cinemateca o "documentário de criação" "FAZ-ME FACE", que nasceu do encontro entre Margarida Ferreira de Almeida e José Pedro Croft) a-mulher-que-escreve-às-quintas postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:57 AM - Comments: Quarta-feira, Julho 30, 2003 ontem estava afadigada escrevendo e imprimindo. até que parei. a impressora parou, sabe-se lá porquê. dialoguei com ela. fiz-lhe ver o inconveniente de tal desconcerto. o desconcerto do mundo não se alastra às impressoras, foi o que me disseram na loja de hi-fi. acredito sempre no que me dizem. quanto menos percebo, mais acredito. pois desesperei. fechei o computador com a raiva possível. nada de marteladas porque em material caro, os arremessos temperamentais dão mau resultado. não há lugar no mundo onde se possa gritar. com os colegas, fica mal. com o patrão, nem pensar. com os amigos, não apetece. com o conjuge, a coisa não dá luta. com os filhos, ainda vá, mas pouco, à cause do trauma. onde raio é que se pode rasgar o peito e cuspir gritos de revolta? ora, não é que o blog é que é! Não há nada como o blog e o travesseiro, para dizer o que se vai na alma. continuando. a impressora parou. fechei a porta do escritório receosa de que mais alguma coisa, viva ou inanimada, se estropiasse. estou numa de andar mansa e piar pouco. fui para casa, suspirei o possível entre o arroz branco e as almôndegas e o telejornal e resolvi sublimar o episódio. hoje voltei a ligar a impressora. e com grande desfaçatez, saiem em jorros os textos, que ontem tanta falta me faziam e que hoje são tralha, desperdício de celulose e tinteiro. raios partam a tecnologia. são Hewlet-Packard me valha! fraca de espírito postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:37 AM - Comments: Terça-feira, Julho 29, 2003 A tribo foi à música mais uma vez. A última da temporada, dizem as más línguas. Para mim, a primeira e pelos vistos única. Razão mais que legítima para cometer, com atenuantes, o pecado mortal da inveja. La envidia, dizem os meus novos e temporários conterrâneos. Pegando nos sons, que não nos sentidos, volto-me para o francês: l'envie. O desejo, a vontade. De ouvir mais e mais música. A do Richard e a vossa/nossa. E de ver mãos como esta que, enquanto duas outras tocavam piano, se dedicava a escrevinhar. Alguém adivinha de quem é? Mais imagens amanhã. pc.
postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:42 PM - Comments: Segunda-feira, Julho 28, 2003 as maravilhas do trabalho repetitivo Esta agora devia ser acompanhada por uma música country, com cheiro a barbecue. Os estados do sul dos eua, das jessicas langese dos sam shepards, entristecem-me. deviam deixar as pessoas irem-se embora dali para fora. Porque, verdade verdadinha, tenho mesmo a certeza, dada por um estereótipo não passível de legitimação, aquela gente já não suporta o pó das estradas e os vizinhos à janela. nem mesmo fazer amor no capot do Chevrolet sossega as almas. um assassínio em massa ainda vá, mas se a altura for mal escolhida, nem por isso lá irá a CBS, ou a NBC e os seus "anchors" para reportarem o trágico sucedido. O que eles não percebem, raios os partam, é que todos os dias são trágicos em Nevermore County, as adolescentes são infelizes, as mães detestam o sol e os cabelos tingidos, os pais odeiam beber. aqui também podia entrar um fado: sabes de mim como ninguém, meu amor, não tenhas medo. lá rá lá rá lá fraca de espírito, em pausa prevista no contrato laboral postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:06 PM - Comments: andava que nem doida. a praia. como explicar de um modo interessante e por palavras ( meu Deus, sempre a necessidade de usar palavras) como se sentia bem de manhã. ainda mais que as manhãs tinham má fama. toda a gente as odeia, as acha desnecessárias, as fazem lembrar o trabalho, a rotina de fato e de ter de ser outro, aquele que dá sempre resposta, o produtivo. mas como explicar a luz, a alegria infantil de saber que neste dia tudo pode acontecer. a vontade irreprimível de rir com uma voz que não se reconhece, de sonhar sempre e muito, de inundar todos com uma gargalhada de puro optimismo. e acontece de manhã. não só de manhã, mas principalmente de manhã. tudo é perfeito. as cores e os sabores são novos e estamos a começar. começamos tudo do princípio, como se fôssemos diferentes, podemos ser diferentes, e vamos sê-lo. e se para além de ser manhã, for uma manhã na praia, onde o mar nos dá sede, onde se corre para ele, a areia a soltar-se dos pés, o corpo solto a sentir frio na água, depois calor do sol na pele, depois frio, depois calor, a pele a esticar, a corar, todos melhores do que realmente somos. gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 8:48 AM - Comments: Sábado, Julho 26, 2003 não, não e não. não vou. fico aqui. não me mexo. estou bem aqui. quase não sinto o corpo. estou há muito tempo nesta posição. a fazer o quatro. deixo as mãos cair ao longo do tronco. quase não sinto o corpo. pergunto-me apenas quanto tempo terá de passar antes que eu deixe de senti-lo completamente. parece que me sobe um carreiro de formigas pela perna direita. aquela que tenho direita. a outra mantenho-a em ângulo. sinto o tornozelo de uma no joelho de outra. serão mesmo formigas aquilo que sinto subir pela coxa? odeio formigas. fazem-me lembrar um ser único em mutação permanente. não olho. olho em frente. há uma janela no quarto onde estou. um pano azul tapa-lhe o vidro. não olho para a perna. o disfórico postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:18 PM - Comments: Sexta-feira, Julho 25, 2003 Audey ( pronunciar Ô...-Dê ) Em breve passarei por um periodo em que verei de novo Ô-Dê todos os dias. Ô-Dê. De súbito sinto necessidade de escrever algo sobre Ô-Dê mas não consigo ultrapassar esta constatação tão simples quanto eloquente e simultâneamente limitadora: Ô-Dê é linda. É quase preciso ver para crer. Linda no rosto, no corpo, nos movimentos. Linda na voz, na maneira como fala o português com um suave sotaque brasileiro. Lindo o tom da pele do rosto onde sobe um ligeiro rubor quando anda atarefada com a bandeja a atender os clientes. Não há, posso garantir-vos que não há em todo o planeta, um café numa praia (ou numa montanha, ou numa cidade ) que tenha uma empregada tão linda quanto Ô-Dê. Chego de manhã e ela traz-me um café.Trocamos duas palavras. O essencial. O suficiente para guardar um bocadinho de Ô-Dê. Não que queira guardar algo dela, mas existe algo que fica, independentemente da minha vontade. Uma aragenzinha. Uma ténue tatuagem azul. O suficiente para me fazer partir pela areia enfrentar a seca de mais um dia de praia como se estivesse a sonhar de olhos abertos. O suficiente para que de vez em quando pense nela e me ocorram estas banalidades. Afasto-me e observo as piruetas que alguns fazem para competirem (sem esperanças) pela atenção de Ô-Dê. Eles não pedem uma bica com pastel de nata, eles demoram-se em explanações elaboradas sobre como querem a bica, mais cheia mas.. não bem cheia, o creme... a côr, o pingo, ah O pingo de leite... a chávena "um pouco aquecida", a percentagem exacta de queimado na crosta do pastel, a consistência da massa... Adoram chamá-la de novo quando ela já se afasta grácil, "olhe olhe", "menina!" ou um familiarizante "Audjeeeeyy", afinal é um trinaranjus... de maracujá , não...de laranja ... sim mas com duas pedrinhas de gelo... mas o gelo que seja daquele... . As senhoras pelo seu lado apresentam queixas... muitas queixas... muito "olhe olhe olhe", muito "não foi nada disto que eu pedi", muito "a sandes de queijo tem manteiga a mais"; "a empregada parece parva" resmungam entre dentes exigindo com um olhar brusco a imediata aquiescência dos companheiros e eles aquiescem, aquiescem . Ela pára e encara-os a todos com a indulgência de uma enfermeira num asilo da terceira idade, ou de monitora de colónia de férias (uma colónia de férias de sonho) e nunca deixa de sorrir. Alguns dos mais criativos deleitam-se mais tarde em explicações sobre como ela os olhou "de uma maneira especial" naquela noite ou quando eles estavam a meter as toalhas no porta bagagem do carro . São vários. E é que não podemos censurá-los por terem exagerado. Ela olha para cada um da sua maneira especial. O olhar de Ô-Dê é especial. Sempre especial. As crianças adoram-na. Pedir um gelado a uma rapariga tão linda é dar um sabor inesquecível ao gelado. Na altura talvez não se note mas esse será um gelado que talvez fique na memória como o Pino do Verão. Uma memória tão boa e pura que as crianças não voltam atrás a chatear Ô-Dê com merdas. O encanto de Ô-Dê fá-las esquecê-la enquanto correm felizes de volta para as suas brincadeiras . Por vezes vejo-a passar da varanda ao cair da tarde na velha carrinha Volkswagen de surfista a caminho de um lugarejo perdido no monte que aguarda tranquilo a sua vez de ser iluminado pela sua presença. Dreamy postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:23 PM - Comments: andava a fraca de espírito a calcorrear os passeios da fama (o chiado, de antigos e novos famosos), cansada de tanto chalocar as moules da moda, comprimido o abdómen e os glúteos para mais delgada se sentir, quando, perante ela, sentado a uma mesa em ar de pesada meditação estacionara o conhecido escritor. todos sabemos que o conhecimento, não filosófico, mas o outro o do tu-cá tu -lá obriga a certas regras, mas o bom que tem ser-se fraca de espírito é que podem os fracos esvairem-se por entre as regras da lisura e da boa educação e continuarem no calcorreio dos passeio sem grandes culpas. a curiosidade é outra das inconfessáveis patologias da fraqueza de espírito. e enquanto, a donzela avisada se teria retirado para as suas boas acções, a fraca postou-se na esquina e vai de espreitar o famoso, tentando descobrir na pose, no silêncio, no ligeiro inclinar do crâneo para a esquerda, no cofiar da barba sisudo o segredo da fama. achou-se logo em inferioridade. pois como poderia ela imitar a fama, se aquele estar lhe parecia despropositado. para quê, dizia-se a fraca mexendo os lábios, ficar horas num café, se é num instante que se bebe uma meia de leite e uma merenda. logo aí, faltava-lhe propósito. a imobilidade não assenta aos fracos de espírito. é mexer, é andar, é bulir, que assim se avança. além de que é difícil apertar os glúteos com eles esparramados na cadeira. além de que a inclinação craneana, deslizando em perigoso desequilíbrio para a esquerda implica o ruminar da IDEIA. e aí, estamos mal. onde está a IDEIA. como agarrá-la, como fazê-la pegar-se a nós, a escorregadia IDEIA. não pensamentos soltos, desirmanados.sim, a genuína IDEIA. fraca de espírito postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 12:04 PM - Comments: Quinta-feira, Julho 24, 2003 RECEITAS DA MINHA LÍNGUA Palavras au menier sequestradas ao vento, passadas por areia e fritas no sal do mar; Palavras-peixe transparentes, só espinha dorsal onde escrevo entre as saliências ósseas do animal abandonado no prato pronto. Não deites fora as costelas, linhas recicláveis; Palavras salteadas barradas de manteiga a arder na sertã; Palavras engomadas pela palma da mão do mim leitor e arrumadas em resmas no hemisfério esquerdo da caixa craniana; Palavras tragédia quebradas, chicoteadas, arrancadas a contragosto; Palavras salvação libertas do espírito estreito onde se resguardavam; Palavras fios d´ovos com que teço tapeçarias para pés d´olhos; Palavras ossos longos de um poema. caderno de receitas I postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:42 AM - Comments: Quarta-feira, Julho 23, 2003 A quem se interrogou acerca de possíveis desenvolvimentos do caso relatado em "Brouaha à Boukhara" aqui segue um pequeno apontamento Sinica Extortura. (ou "Read my Leibniz dummy") Tombul tem-me procurado com insistência; primeiro foram os pombos, o último dos quais esteve a pontos de provocar uma situação diplomática assaz embaraçosa ao alijar sem discrição a sua volumosa mensagem à entrada de uma reunião em Leipzig com o Berlusconi, o Musharraf e o Perle . Os salpicos acabaram por espalhar-se com espalhafato pelo fato de corte irrepreensível do Berlusconi provocando comoção entre a equipa de segurança ao evento, a consternação entre as outras altas individualidades (de todas fui o único a permanecer sereno) e algum frou-frou entre certa imprensa embedded na comitiva . Temi o pior, mas o "cavalieri" resolveu a situação com a elegância e eficiência habituais. O staff que o acompanha em viagem trouxe de imediato um dos vários fatos de reserva preparados para este tipo de eventualidades e a troca fez-se sem demoras logo ali no Hall do Stand Comercial de Conferências . Finalmente, o alfarrabista ligou-me do telemóvel, uma coisa um tanto embaraçosa... lamentos, súplicas, acabou por enternecer-me com a puerilidade das ameaças veladas sobre uma festa despida de preconceitos a que eu teria assistido há três anos numa casa de espectáculos para membros da elite, o "Calipha's" gerido por Sonja Soraya uma amiga russa dos tempos da perestroika... enfim, disse-me que como prova da boa vontade das gentes de Boukhara, o seu grande amigo Jallalludin está disposto a vender-me a "Novissima Sinica" do Leibniz de 1679, uma recordação de família (um tetravô de Jallalludin teria sido autómato jogador de xadrês do Leibniz) , por 30 Euros o que achei irrecusável. Segundo Tombul (vá lá a gente acreditar nestes aldrabões) haverá outro "connoisseur" muito interessado. Não resisti aos apelos, afinal por debaixo desta capa de cinismo que me impõem as altas funções que desempenho, sou humano como toda a gente. Telefonei ao Dostum, o homem é um incompreendido, dotado de uma sensibilidade comovente, possuído por uma necessidade quase patológica de agradar e disponibilizou-me imediatamente um avião para Boukhara. Saio hoje do blog às 3:45 num C-130 da USA Air Force directamente para Mazar al Sharif. Academico Pomposo Móvel ( Deputado ) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:23 PM - Comments: laralaralaralara...pois estou mesmo contentinha. poderia estar também contentinho. a alegria dá-me para a androginia.mais vale andróginos que andrajosos, diria a dona laura, se existisse e se eu a conhecesse... andavam a monte os criminosos fiscais da nossa praça, confortados pela brandura das nossas penas, quando de repente se levanta (apetecia-me imenso escrever alevanta. hão-de convir que dá mais a ideia de movimento inesperado!) um fragor de puro proselitismo levantino. com isto quero eu dizer, o povo espumava de júbilo pela morte de dois energúmenos do país dos xás. ora, todos sabemos que mais vale um energúmeno vivo do que morto. e eu, com esta tença de acreditar na espécie humana, hei-de sempre achar que algum bem habita o energúmeno mais empastelado de ódio e ínvias intenções. E não sou só eu que me armo em etérea. Ouvi segunda à noite, um coro de vozes em esforçada afinação, que insistiam, em balidos trémulos, que queriam estar "junto de ti Senhor quando o teu coração se partir". Continuo a opinar que corações partidos, só na Globo. Mas há quem diga que não e desastradamente, nos tempos que correm, temos de concordar com os cretinos desbragados, que têm opiniões e acham coisas! fraca de espírito postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:44 AM - Comments: Terça-feira, Julho 22, 2003 A TRIBO TAMBÉM VAI A BANHOS algures entre Sesimbra e o Cabo Espichel
a-banhista-de-serviço postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:15 AM - Comments: Segunda-feira, Julho 21, 2003 Acabo de ver duas "bruxas", aquelas bolinhas todas espigaditas, sabem não é verdade?, a voar muito uma ao pé da outra. Que vontade de pegar-lhes, guardá-las por momentos na concha das mãos, pedir dois desejos, porque já vos disse, eram duas, e deitá-las de novo a voar. Olhei para um lado e para outro. Vi gente apressada. Apressei-me também. Deixei as bruxas voar sem a carga dos desejos. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:01 AM - Comments: Sábado, Julho 19, 2003 Road Map para um breviário tribal Ao longo de largos meses em contacto com a tribo pudemos aplicar de forma aturada e persistente e apesar de todos inúmeros perigos e incontáveis contrariedades, (de entre as quais avulta o atraso sistemático no pagamento dos subsídios ) os mais avançados métodos de observação científica, o que nos permitiu fixar com carácter provisório algumas noções sobre a sua natureza e hábitos.
A tribo celebra por vezes... rituais bizarros
Viaja por... estranhas paisagens ,
Habitadas por... estranhos personagens, (no mínimo)
E Onde abundam os vestígios de um... passado envolto em controvérsia mas que se sabe fabuloso.
A fauna, a flora que se encontram nos territórios em que deambula, brilham para uma luz indefinível e rara. Nota/Disclaim: O leitor avisado notará que neste modesto trabalhinho, apesar de mencionarmos brevemente um passado, nos abstemos terminantemente de enunciar ou sugerir qualquer ideia determinista de progresso, pelo que repudiamos previa e veementemente qualquer acusação de historicismo. Tycho Brahe Y Techno (Pope) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:41 PM - Comments: Marcas de Água Talvez no futuro possamos postar directamente ao passo. A questão da identificação dos motivos, consequências, modos e tiques dos blogs, com que realidades ou ficções alternam e entram em conflito ou contraponto é totalmente totalmente totalmente irrelevante. Há quem defenda que os posts requerem banda sonora de Josquin Desprez, robe para pastar passarinhos e tesoura de poda. Outros pensam-nos ao som do rugido do metro, traçam-nos com a subtileza analítica das tangentes definidas pelos autocarros que se precipitam úberes de commuters e seus sonhos e dramas, avenida abaixo direitos aos Infernos. Raros são os posts que projecto no ecran da minha "wall of perception"/mente que resistem à dissolução ácida do trajecto e das travessias até chegarem ao mar. Lars Em Sombra ( Dissoluto e Apaniguado ) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:38 PM - Comments: Dramas de Pastelaria Estava eu só com os três empregados da pastelaria. A típica pastelaria portuguesa moderna; cadeiras cromadas, tampos de mesas em fórmica, azulejos espanhóis nas paredes com efeitos "moirée", a percepção da configuração do espaço distorcida por um enorme espelho biselado de superficie entalhada a ácido por estranhos motivos kitch compostos em cérebro obstruso e imortalizados por um tresloucado industrial do ramo vidraceiro. A luz fluorescente difundida pelas grelhas metálicas embutidas no tecto falso em plástico era doentiamente matizada pela iridiscência glauca de um expositor onde vegetavam frutas exóticas mumificadas e bolos caseiros de pacote. A televisão passava uma das habituais sequências tristes, convulsivas e previsíveis de videoclips fabricados na mesma fábrica que os azulejos. Na entrada situada no piso inferior, um rapaz transmontano franzino e de poucas falas ao volante do balcão, do microondas, da máquina de café e da registadora. No piso de cima, uma rapariga loira e bonita, olhar em que o doce azul se confunde com o ausente, o cabelo apanhado em rabo de cavalo, as fraldas da camisa branca atadas à frente em laço para poder exibir o umbigo com inocência. Um alentado ferrabrás de cabelo curto penteado para trás exibindo sem pudor os ensinamentos obtidos na pós graduação em nutricionismo por correspondência, procurava empanturrar-me de croquetes e rissóis para colmatar a imperdoável falta de chamuças. A torrente de som vinda da televisão amainou de súbito. Começou a passar um filme em que era possível fixar os planos sem se correr o risco de se sofrer um deslocamento da retina. Fez-se um silêncio na sala. A rapariga comentou então que o Pedro Abrunhosa nunca tirava os óculos porque parece que tem os olhos vermelhos. O ferrabraz levantou os braços em extâse e disse que tinha visto um concerto no Terreiro do Paço em que tinha tido de estacionar a carrinha em Santa Apolónia. O rapaz do piso de baixo pediu para levantar o som, apoiou as mãos no corrimão de madeira, encostou-lhes o queixo e fixou no ecrã o ar nostálgico de um stranger in a strange land contemplando lá de baixo a impossibilidade de voltar ao postal do largo da aldeia já irremediavelmente carcomido pelo ranço das nódoas da vida e do tempo. Pensei numa cena de um filme do David Lynch mas aceitam-se melhores sugestões. Banda sonora quando postava Mendelssohn, Sonata Op.6, Frederic Chiu piano, na capa um excerto de uma pintura de Caspar David Friedrich Harmonia Mundi Novofrosino Cordeiro Plissado ( cliente fora de horas ) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:31 PM - Comments: Famosos e paradigmas Entrei no taxi como de costume, directamente para o banco da frente e o homem ia já a pegar nos jornais para passá-los para o banco de trás. "eh espere aí por favor, posso ler o jornal?" Eram o 24 horas, o Tal & Qual e o Correio da Manhã. Nas capas, fotografias de personagens que me são completamente desconhecidos deram-me aquela sensação estranha de "onde é que eu estou" tipica dos instantes que precedem os derrames cerebrais. "mas quem é este gajo?" Perguntei com aquele tique estúpido da testa franzida pela ignorância estendendo-lhe uma das capas, a que exibia um sujeito sorridente mas que eu nunca tinha visto mais gordo. "Este Gajo???" o taxista olhou para mim com o ar incrédulo e agastado de quem não tem tempo a perder com pacóvios " então, este gajo? É Famoso!!!" "mas famoso porquê?" perguntei de novo. Insistências da saloiada mais vivaça. Ou de alienados em fuga. "Homem, esse gajo tem três cafés, apresentou um programa de televisão e foi casado com a Bárbara Guimarães!" disse o taxista martelando as palavras com um ritmo sincopado onde passava, subliminar uma outra mensagem : " Helloooo, em que planeta é que tu tens andado ó parolo? Duhhh". Vem isto a propósito das recentes reflexões sobre certas caracteristicas da civilização em que vivemos. Até há poucos anos para cumprir o mito (ou o rito...) de uma vida preenchida, requeria-se de um homem que: "plantasse uma árvore, fizesse um filho e escrevesse um livro ". Hoje, o paradigma do "wise man", deu inexoravelmente lugar ao do "famoso" que tem como objectivos " abrir um café, apresentar um programa de televisão e casar com a Bárbara Guimarães". O que se ganhou? O que se perdeu? Há capítulos para ler.. El Mano Sá Dino ( o passageiro para o Lugar do Morto) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:54 PM - Comments: EM BUSCA DO VELO DE OURO II Foi a última vez que conversei com alguém. A partir daqui limitei-me a utilizar os músculos do pescoço e da face, movimentando a cabeça e alongando e comprimindo a pele do rosto. Para fora não saía nada que não dióxido de carbono. Era o início de um processo de limpeza em busca da pureza original. Só assim poderia almejar a voz que outrora pertencera a meu tio. Este processo, no entanto, mostrava-se moroso. A voz recém-abandonada, teimava em querer aparecer, procurando portas de saída nos longos corredores interiores a que estava confinada. Uma circulação secreta e silenciosa de mensagens por cabo que aos poucos ia diminuindo pelo efeito do curto circuito. Aterrámos na ilha quase ao mesmo tempo em que o sol aterrava no mar. A Primavera estava próxima. Soube pelo perfume dos junquilhos que me assaltou de imediato assim que se abriram as portas do aparelho de viação. Os junquilhos são das primeiras plantas a florescer, logo em Janeiro, princípios de Fevereiro, indicando-nos a proximidade da Primavera, dizia-me ao longe a voz de meu tio. Porque há vozes, dizia ele, que se conseguem libertar da teia do esqueleto quando este vai a soterrar, e permanecer livres na atmosfera, envolvidas em gazes e vapores. São vozes-crateras repletas de palavras-lava em ebulição. E cada vez que um vivo fala pode ter a sorte de uma destas vozes se juntar à sua, surpreendendo-o. Sempre que ouvires alguém comentar: ¿Ouviste o que eu disse? Hoje até a mim me surprendo!¿ É porque já contraiu uma dessas vozes. Era portanto em busca da voz de meu tio, e não do velo, que eu partira para as Flores. Tinha a certeza que esta estaria por ali, junto à Cabana ou, quem sabe, junto ao ¿junquilho original¿. Mas o que era este junquilho? Onde o poderia encontrar? Constituía ainda um enigma a desvendar. a mulher-tem-dias-mas-não-tem-folgas postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:59 PM - Comments: Sexta-feira, Julho 18, 2003 Mais do que o ocidente e o mundo islâmico, os hindus parecem ter sido os primeiros a dar a importância devida ao "verbo", primeiro dito (oral) e depois escrito: - "Foi na matéria verbal, como muito bem assevera René Daumal, que os antigos hindus talharam as suas pirâmides, esfinges Zikurats e partenons" - O "Bhagavad-Guitá" é apenas um dos livros que compõem o "Mahabharata" (Grande Índia) que, no seu conjunto, conta com 100.000 estrofes formadas por 400.000 versos, distribuídos por 18 livros (parvas) e que, a par do "Ramayana" (24.000 estrofes), constitui a arquitectura épica da monumentalidade linguística da Índia." - "O "Mahabharata" é, em extensão, sete vezes maior do que a Ilíada e a Odisseia reunidas e três vezes maior do que a Bíblia." (Introdução de António Barahona ao "Poema do Senhor (Bhagavad-Guitá)", edição Relógio D´Água) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:28 PM - Comments: Quinta-feira, Julho 17, 2003 Havemos de rir? Já toda a gente saberá o que diz certo provérbio judeu. Ou quase toda a gente. Podem dois ou três desconhecer-lhe o conteúdo. A verdade é que me dá jeito evocá-lo, mesmo não sendo novidade. O provérbio judeu, aquele que anda nas bocas do Mundo, outros haverá de maior recato, declara: "O Homem pensa e Deus ri". Mas porque há-de rir Deus ao olhar para o Homem enquanto pensa? ¿ pergunta de seguida o romancista checo Milan Kundera. Vê-se bem que já tinha a resposta preparada antes de fazer-se a pergunta, pois lhe sai aquela de um modo acabado e perfeito: "Porque o Homem pensa e a verdade escapa-lhe. Porque quanto mais um homem pensa, mais o pensamento de um se afasta do pensamento de outro e, finalmente, porque um homem nunca é aquilo que pensa ser". Creio constituir este um excelente naipe de razões para o riso até às lágrimas e às dores abdominais de Deus, assim possa deitá-las e dispor dos ditos músculos. O eco desse riso fez nascer, sustenta Kundera, a ideia do primeiro grande romance europeu, género literário ao qual o escritor atribui a expressão das incontáveis possibilidades de existência humana. Pois que ria Deus enquanto o Homem pensa. Não há-de, contudo, reclamar a exclusividade do riso. As evidências não me deixam mentir: tão certo como não ser um homem de ferro, é não ser ele também agelasta, aquele que não ri, identificado à partida ¿ sabe-se lá se à chegada - com alguém a quem falta alegria e, logo, motivo. Então, de que ri um homem? - pergunto-me, à maneira do eminente checo. Agora dou por mim em apuros: não tenho a resposta na ponta dos dedos sobre o teclado, o que me obriga a recorrer à memória e à observação. Vejamos. Aquele homem ali, de corpo em forma de ponto de interrogação, ri-se porque sorri o outro, de aparência exclamativa. Assim escrito, parecem dois passageiros do "Comboio Descendente", de Pessoa, em que "vinha tudo à gargalhada, uns por verem rir os outros e outros sem ser por nada". Nada mais errado. Não estamos num comboio, mas num vulgar escritório e quem lá trabalha não vai "de Queluz à Cruz Quebrada". Neste intermezzo poético-ferroviário, o ser exclamativo tornou-se sisudo. Logo aconteceu o mesmo ao rosto, com tiques de mimo sem pintura, do homem flectido. Afastam-se - não será difícil imaginar atrás de quem vai qual - e fica em cena um indivíduo que parece divertir-se com o acabrunhamento de outro, lançando-lhe em torno gargalhadas curtas e secas, no remate semelhantes a tentativas de expelir uma espinha da garganta. Mais perto, ao alcance do ouvido, um homem moreno perguntou e deu resposta a qualquer coisa acerca de uma mulher loura, fazendo inchar de riso as bochechas de quem o pôde escutar. Importa que engulam o riso depressa, pois o director-geral eliminou as brincadeiras do local de trabalho, intoleráveis quando dos altifalantes, instalados a cada canto, sai a cantilena: "Não sois produtivos. Não sois produtivos." Alegra-me constatar que o riso humano constitui forma de resistência, mesmo se à conta de anedotas, tantas vezes desengraçadas, sobre mulheres de cabelo amarelo. Mal seria que não passasse já de instrumento de lisonja, maneira de aplacar os poderosos e os adversários ou arma, entre as mais eficazes, do sarcasmo. Mas não me deixe eu levar pela sisudez. Afinal, bem vi, num dia de muito calor, uma mulher entrada na idade e gorda - para que se não confunda a imagem com a do reclame a um qualquer refrigerante ¿ atravessar, rindo, as gotas de água com que um aparelho de rega respingava um terreno arrrelvado. Farei também por não esquecer a rapariga lendo, no Metropolitano, "O Ente Querido", de Evelyn Waugh. Esforçava-se por manter o riso mudo. Que estranho e engraçado é ainda, no extremo oposto, o riso sonoro que se puxa a si próprio, como se diz das crianças a propósito do choro. Aquele - por todos já experimentado, decerto - que parece iniciar um mecanismo depois imparável, mesmo ante a consciência de se ter esgotado o motivo, por poderoso que tivesse sido. Quando o Homem dá por si a rir, rir, rir sem razão. Será que Deus também ri assim? A resposta de novo a Milan Kundera. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:04 PM - Comments: No atelier da robalo postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:34 PM - Comments: EM BUSCA DO VELO DE OURO I Pelos dedos indicadores esticados a tocar a testa dos transeuntes que com ele se cruzavam, Jasão percebeu que, mais uma vez, tinha saído de casa sem roupa. Tinha este hábito dos meses que vivera isolado na cabana do seu tio quemorreudevelho na ilha das flores. Tomara o avião na manhã de um dia de semana sem sol. Saíra de casa e dissera até logo à mulher ainda de roupão, pregando-lhe um beijo na testa. Deixara os filhos à entrada do portão da escola. Já estavam crescidos para os acompanhar pela mão à sala-de-aula. E, ao em vez de virar à esquerda para a rampa do parque subterrâneo, seguiu em frente. Sempre em frente. Acelerou. Acelerou até se deslocar do espaço em volta e poder tomar, como único sentido, o do aeroporto. Ninguém parecia precisar mais dele. Em casa, a mulher encarregava-se de tudo, sozinha. Os filhos davam conta dos deveres e das brincadeiras, também eles sozinhos. Já nem para a habitual partida de futebol o chamavam. Ele que até era um excelente guarda-redes! No trabalho tudo também parecia continuar ordenadamente mesmo sem ele fazer por isso, mesmo sem ele fazer absolutamente nada. Tinha-se preparado durante um mês. Durante um mês tivera como propósito cruzar os braços. Só assim poderia verificar se tudo não passava da sua imaginação ou se a sua presença era de tal forma ausente que melhor seria isso mesmo. Ausentar-se de vez. E assim era, a vida parecia teimar em continuar, a rolar. Com ou sem ele. - Um bilhete para a Ilha das Flores nos Açores. - De primeira ou segunda? - Que importância tem isso, agora. Classe. Qualquer uma minha Senhora. Escolha a Senhora por mim. - Igualzinho ao meu marido, que Deus tem! - Fico contente por lhe ter feito lembrar alguém falecido. - Mas porquê tão longe? Existem ilhas mais à mão. - Esta noite sonhei que era um argonauta. - Um quê? - Um tripulante da nau Argos que com os demais companheiros foi à Cólquida em busca do Velo de Ouro. - Um navegador ousado! Mas então porque que escolhe uma viagem pelo ar. Não se terá enganado no cais de embarque? - Estamos em que Século minha senhora? - Sim, tem razão, se até do cais-do-sodré partem agora linhas para comboios. Aqui tem. Boa viagem. - Obrigada. Se o encontrar, hei-de trazê-lo para si. - O quê? - O velo, claro. - Áh esse! - Não me diga que pensou que era o marido? Mas que porra, afinal não vou assim para tão longe! (para continuar ou não) a mulher-tem-dias postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:31 AM - Comments: ufa, finalmente chegou o meu dia de postar, andava para aqui a conter-me, deixando que o resto da malta mostrasse o que vale, e já estava a ficar bastante impaciente!!! Ei Celso "Caliban", ex "Calibur", o senhor das várias faces, hoje isto está por minha conta! Nada de chinesisses, orientalismos ou mais postes sobre taxistas que isto hoje é à séria!!! ouviste bem!!! Controladas as hostes, vamos lá começar a criar qualquer coisa de jeito: ........... a mulher-a-dias postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:23 AM - Comments: Quarta-feira, Julho 16, 2003 Vencer a crise Há pouco foi o taxista. entrei e perguntou-me enquanto mexia na orelha. "quanto é que costuma pagar pela corrida?" "sei lá, respondi, quatro e oitenta, cinco euros" "fixe"... Pelo caminho demonstrou cabalmente que é um homem asseado. Limpou criteriosamente os dois ouvidos (uma corrida de cinco euros dá bem). O taxímetro claro, ficou desligado que quem não bloga também tem de fazer contas à vida. No fim, "tome lá os cinco euros chefe, eu fico aqui que o caminho está bloqueado pelas camionetas do lixo". "obrigado amigo"... Taxistas à moda antiga. Já na esquina, um taxista moderno fumava uma chinesinha. Assimilar literalmente a sabedoria oriental pode ser uma experiência "intoxicante" Celso "Caliban", ex "Calibur" postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:07 PM - Comments: Produtividade ...e pronto, agora não me consigo arrancar do assento por causa do raio do blog. Se escrevo raio é no sentido de iluminado, para que se bem entenda. Estive toda a tarde a espreitá-lo. Sim, ao blog. Verdade se escreva que foi em vão. Não fossem as aventuras do nosso ilustre deputado por terras da Buraca e não teria com o que me refastelar. Já agora, permita-me "sô" deputado, vénia, vénia, não há-de ser o senhor um dos indiciados no processo dito das viagens fantasma? Se, por um estranhíssimo acaso, acabar no xilindró vou lá levar-lhe cigarros em paga de história tão fabulosa. Mas deixem-me cá voltar atrás. Perguntava-me eu se ao senhor Bagão lhe terá já chegado aos ouvidos esta coisa do demo. Sim, o blog. É que isto faz uns danos do diabo - ele mesmo, cornundo, de tridente em riste - à produtividade. Sem falar do que me faz a mim à cabeça tentada pela paranóia: parece-me que toda esta gente do Terciário que matraqueia no teclado não faz senão blogar e enganar o senhor Bagão-que-Deus-o-proteja. IR postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 5:27 PM - Comments: Brouaha à Boukhara Sempre que passo por Boukhara e os meus múltiplos e complexos afazeres me deixam um pouco de tempo disponível, dou sempre uma saltada aos alfarrabistas do "pátio dos lírios", um microcosmos de duzentos metros de comprimento e 4 de largura onde se encontram algumas das raridades bibliográficas mais fabulosas do mundo a preços absolutamente inacreditáveis. Há dois dias, aproveitando uma escala técnica do avião das linhas aéreas do Kazakistão da carreira de Duchambe, meti-me num taxi semi desconjuntado e segui directamente pela estrada poeirenta do aeroporto para a sombra sábia e protectora do "pátio". Tombul , um homem de meia idade semi encurvado sob o seu turbante branco sempre impecável e cuja barba ponteaguda no prolongamento do queixo forma com a face uma espécie de curiosa meia lua em que as crateras seriam representadas pelos traços de antigos contactos com a varíola na pele, recebeu-me no seu estabelecimento. "Salam Aleikum" disse do fundo da loja quando se apercebeu da minha presença, ao que eu respondi "Aleikum Salam". "Tenho novidades para si Dr. Academico, novidades de arrepiar!" disse com o habitual ar melífluo . "Então o que temos " respondi afectando indiferença, preparando-me para uma discussão áspera com o astucioso negociante. "Ah siga-me por favor" Segui-o por uma porta estreita que dava para um pátio interior muito fresco devido à sombra de uma árvore milenar e onde três anciãos de traços vagamente mongóis conversavam enquanto tomavam o seu chá e desfiavam as contas dos seus rosários. Voltamos a entrar num barracão coberto de chapas de zinco onde estava um calor insuportável. "Diga-me o que acha disto!" e fez um gesto largo que terminava na ponta da unha rapace do dedo indicador da mão esquerda amarelecida pelo hashish. Em cima de um tosco barrote de madeira muito antiga estava um fila de livros entre os quais identifiquei imediatamente entre outros, John Wilkins , "Mercury; or, The Secret and Swift Messenger" de 1641 Walton "In Biblia polyglotta prolegomena", de 1673 Andrea Alciati "Emblemata" de 1531 Estienne Guichard "L'Harmonie étymologique des langues" de 1610 Vallesio "De sacra philosophia", de 1652 Athanasius Kircher, "Obeliscus Pamphilius" de 1650 Montfaucon, "Nova Collectio patrum et scriptum" Horapollus (a.k.a. Horus Apollon) "Hieroglyphica" Isaac de la Peyrére "Systema Theologicum ex prae - Adamitarum Hypotesis" de 1655 "Confessio fraternitis Rosae crucis, Ad eruditos Europae" de 1615 (um panfleto!) "Effroyables pactions faites entre le diable et les prétendus invisibles , (outro panfleto!) Gaspar da Cruz "Tractado en que se contan muito por extenso as cousas de la China" de 1569 Depois de um momento de hesitação não pude conter mais a minha irritação. "Alfarrabistas! Que raça de vigaristas ! Desde há 300 anos que passo por aqui e você tem o desplante de me apresentar sempre as mesmas "novidades" em exposição e sempre marcadas com o mesmo preço??!! Tenho de passar a ser mais judicioso de cada vez que pensar em voltar a passar por Boukhara, senhor Tombul, passe bem!!" Os sinais de uma agitação telúrica começaram a propagar-se pelo relevo selenita do seu rosto mas eu, sem lhe dar tempo sequer para balbuciar "Aleikum Salum", peguei no público saí porta fora. Já nem passei pelo aeroporto, vim directamente para o blog. Academico Pomposo Móvel ( Deputado ) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 3:31 PM - Comments: Trago-vos notícias das profundezas da terra. Das galerias, à altura de um corpo, escavadas pelos homens das aldeias serranas da Panasqueira, S. Jorge da Beira, S. Francisco de Assis, Silvares, Rio... O Ti' Alfredo Matias entrou nas minas da Panasqueira era "um gaiato". Trabalhou lá 30 anos - ao fim de 25 a empresa ofereceu-lhe um relógio. O Ti' Augusto Faustino fez-se mineiro ainda não completara oito anos, "a acartar aço às costas". A Ti' Celeste Abília tinha que "agarrar" os oito filhos e os 90 escudos que o seu homem trazia da mina não chegavam para lhes dar de comer a todos. Ela pegou numa bacia e foi para o rio à cata de minério. Apraz-me escrever-lhes os nomes quando me inicio nas lides blogueiras. IR. postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:13 AM - Comments: encantamento. que palavra bonita e desusada. Como atrair, cair ou perder-se no encantamento? Onde se consegue, se encontra, cadê ele, pô! depois,com ou sem ele há o consolo. o consolo após desencanto. o consolo pré-encantatório. o consolo do chocolate. hmmm! gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 10:45 AM - Comments: era libanesa. a comida. os molhos. os narizes aduncos e os sorrisos adocicados dos empregados de mesa. eis quando entra pela porta o senhor todo poderoso. Não o senhor do mundo. o outro. o senhor da europa. mais velho, sem maquilhagem acompanhado de europeias senhoras e cavalheiros de impecáveis referências. sorri para nós, que tolhidos de irrealidade, embasbacámos. Alguns não acabaram o jantar. eu esqueci-me do telemóvel. o espírito da europa tinha passado entre nós. tirando-nos alguma coisa que era nossa. gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 4:56 AM - Comments: Terça-feira, Julho 15, 2003 Evasões "O poder é rizomático, disse-o Deleuze", afirmou bem disposto o sr. Loureiro, o dono da minha pastelaria habitual de pequeno almoço enquanto punha à minha frente no balcão, um pires com dois croquetes e uma chamuça para acompanhar o vigor. Fiquei a pensar neste caso. É que às vezes parece que vivemos submersos num nevoeiro em pó biológico, uma fina teia de leis que se molda ao nosso corpo e à nossa mente como um tecido, que nos protege mas ao mesmo tempo tolhe os nossos sentidos e cria barreiras invisíveis e irreparáveis no nosso relacionamento com os outros. Ao passar pelo quiosque, reparei na capa da revista Evasões com as suas propostas de corrida aos Paraísos em tons de ouro sob azul, e interroguei-me se a única evasão que resta aos cidadãos respeitadores da legalidade nesta sociedade normalizada não é mesmo a Evasão Fiscal Adérito Touttysso (Pherrabraz, escritório ao Calvário) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 10:25 PM - Comments: já não sei a quantas ando. sou das quartas, sou das quintas? mercoledí, giovedí. mittwoch, dienstag. wednesday, thursday. Devo escrever hoje, amanhã? Não devo escrever nada. calada e quieta no meu canto... ai, ai... avisaram em Bruxelas que o ozono queima. as gentes estranham estes calores. E quando se preparam para brincar aos do sul, mediterraneisando-se por esses jardins, ordenam-lhes que fiquem em casa. Desaconselhados os exercícios físicos extenuantes. já não posso pensar. gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:19 PM - Comments: ao pc no PC. ao nosso privado no Público. que se lusitanou depois se ter madrilado. saudades e beijos gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:01 PM - Comments: É terça-feira, feira da ladra... não sei se abriu às cinco da madrugada, para dizer a verdade já há muito tempo que não vou lá. Quem sabe ando a perder encontros com alguma rapariga que desça as escadas quatro a quatro; hoje foi o elevador que me trouxe, dois andares acima, e aqui tendes o pc sentado ao PC. No Público e em público, postando pela primeira vez. E das cinzas talvez amanhã que é quarta-feira haja fogo outra vez. Espero que não, pelo menos fogo como o que houve em Montesinho ontem, que tristeza! Não consigo olhar para uma árvore a arder sem ficar triste. Até já. pc postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 9:04 AM - Comments: Segunda-feira, Julho 14, 2003 sou a das quintas feiras. Reconhecem-me? Estou aqui por engano. Estou no sítio errado a fazer de conta que sou quem não sou. Está-me a dar imenso gozo. gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:22 AM - Comments: as florestas enchem de gotículas o calor verde. São inúmeras, cercam-nos e sentem nostalgia do mar, que não conhecem. em todas as esquinas encontram-se rostos afogueados, cor de rosa do esforço de tocarem o calor. Já não se trabalha. Passeia-se. sonha-se. Lê-se à sombra de uma árvore cujo nome desconheço. gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 11:20 AM - Comments: a páginas tantas subiu da mina e sobreveio-lhe a imagem de um mundo de luz. Por onde anda a exploradora dos subterrâneos? gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:37 AM - Comments: Está calor, muito calor no país do frio e das coisas exactas. Onde uma língua não basta, onde duas línguas se disputam e entremeiam. Somos ou não diferentes numa outra língua? somos melhores, mais imprecisos, mais tímidos? queria ser diferente na língua dos outros. E soltar os amigos nesta outra língua para se perderem. Queria rodeá-los com a doçura do mar e do sal. gaivota em terra postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:12 AM - Comments: Sábado, Julho 12, 2003 O cais na outra margem O taxi fluvial chegou à outra banda e o repórter da Tribo estava lá! Arsénico de Glutível ( Relações públicas e recursos humanos ) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 12:42 PM - Comments: à Escuta Mais atenta do que por vezes a discrição aconselharia a Tribo está à escuta . A Tribo encosta os ouvidos aos rails para antecipar a chegada do cavalo de ferro.
Crazy Horse (medicine man) postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:50 AM - Comments: Dar, Receber... Muitas vezes me interrogo para que fundo perdido irão as gorjetas que deixo para arredondar as contas sempre que pago uma corrida de taxi. Hoje, o taxista desligou o taxímetro nos últimos dois quilómetros quando lhe disse que estava no limite dos cinco euros que tinha para lhe pagar, e deixou-me à porta de casa. Norberto, o passageiro do lusco fusco postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 1:09 AM - Comments: Sexta-feira, Julho 11, 2003 Música Um dos entusiasmos de alguns tribais nos últimos meses tem sido assistir ao "curso de música" do Richard Jeffcoat na livraria Eterno Retorno às segundas feiras às 9 da noite. Já tivemos momentos mágicos com a interpretação pelo Richard das Variações Goldberg e obras de Brahms, Alban Berg e Mendelssohn entre outros, mas quando à musica se junta a poesia, como foi o caso na segunda feira dia 23 de Junho quando apareceu o António Poppe, a aula transforma-se num happening . Mel, o mano mais velho postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 6:03 PM - Comments: Fados há uma revolução estética em curso a coberto das sombras da noite lisboeta. ontem à noite saí do emprego à meia noite e apanhei um táxi. tal como no dia anterior, o rádio do taxista berrava fados em série. no fim da corrida perguntei... "então? vê-se que o meu amigo gosta de fado" "ah, respondeu... agora é a rádio ocidente da meia noite à uma, depois ligo para a rádio seixal e é até às sete da manhã"... cheguei a casa, liguei a televisão e estava a dar uma entrevista da fadista Teresa Siqueira. o melhor é não expôr já a minha teoria mas de certeza que isto merece uma carlitos postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 2:16 PM - Comments: Quinta-feira, Julho 10, 2003 Bom, sejamos pragmáticos. Optei por deixar os posts anteriores. Isto não é um caderninho muito limpinho, isto é mesmo para se verem os "borrões" a "obras em gestação" e o que há demais bonito num blog do que aqueles primeiros "vagidos" aqueles posts que são toda a alegria do blogger ao ver que sim, está "on line" a "falar para o muuuuuundo!!"? Seguem-se nos próximos dias e com regularidade os posts da tribo, posts a sério, bem escritos. Tecnicamente ainda há acertos a fazer como criar os links e escrever o "motto" que é uma frase de um esboço de "Declaração Universal da Tribo" escrita pela Isabel Ramos e, por fim registar o site nos apontadores portugueses e brasileiros. Como não podia deixar de ser esta página tem comentários pelo que "passers by" estejam à vontade para falar com a Tribo em português, inglês, chinês, lingua de gato, lingua de sogra, langue de bois, patois e lingua de trapos. postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:49 PM - Comments: É um dia cheio de bons agoiros. A Tribo almoçou hoje com grande algazarra no restaurante do Alto do Século . Dispensamos pretextos para almoçarmos juntos , mas hoje, dia 10 de Julho, havia um motivo especial, o aniversário da Maria Poppe. No final cantaram-se os parabéns, comeu-se um bolo de chocolate e a Maria apagou a enorme vela espetada bem no centro do bolo. Como não podia deixar de ser falou-se dos planos da Tribo e inevitavelmente de blogs... e decidiu-se começar a utilizar o blog tão simpático que a Ana Maria Gonçalves também ela uma tribal mas do outro lado do Atlântico criou há uns meses atrás e que ficou até agora em stand by. Decidiu-se que a partir de agora haverá um responsável por cada dia da semana . Decidiu-se quer dizer... começou a falar-se mas a Isabel Branco que é uma terrível organizadora distribuiu imediatamente tarefas. Como disponho de fracos recursos oratórios e sou uma fraca figura tenho evidentemente pouco peso na tribo e assim, como que pos acaso, calhou-me logo fazer o primeiro quarto, que é como quem diz, o primeiro "post" oficial, sem dúvida um contra-senso num blog de escritoras que requereria uma introdução mais relevante, uma declaração de princípios, qualquer coisa sonante que marcasse uma viragem decisiva da "blogosfera". Tudo isto me parece óbvio mas as minhas objecções tímidas tiveram de recolher-se perante o olhar severo e dedo indicador em riste da Isabel Ramos: " livra-te de amanhã não estar lá o post". Calhou bem afinal. Por motivos profissionais tive de ficar até mais tarde a trabalhar e agora que estou para sair aproveitei para fazer a tarefa de que fui incumbido. Sei no entanto que a estas horas um grupo intrépido viajou secretamente para a margem sul do Tejo num taxi marítimo para se encontrar num restaurante algures em Cacilhas onde a Maria será atraída por artes mágicas a uma festa de aniversário surpresa . A Tribo funciona ao invés da lógica, é a sua força. Que imaginação! Que poder de persuasão será necessário para realizar o embuste mais bizarro que se possa imaginar... levar 1- a Maria Poppe 2- a um restaurante em Cacilhas, 3- à noite, 4- no dia dos seus anos Estou em pulgas para saber o pretexto. E o resultado. Vai ser com certeza uma festa fantástica, vai lá estar a Tribo em peso e umas largas dezenas de outros amigos e familiares da Maria . Eu, "posto" firme no meu posto. (o firme é só porque faz parte da figura de retórica). Quando fazia a ronda habitual aos blogs, passei pelo Udigrudi e dei com o post da Ana Maria anunciando o aniverário do Pai. São demasiadas coincidências para ser um acaso! Parabéns pois, à Maria, ao Pai da Ana Maria e ao blog. Este blog acabado de "renascer". postado por: "PALAVRAS DA TRIBO " 7:21 PM - Comments:
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